Do Recife para a Argentina
27/12/2013

Serttel fatura 65% a mais neste ano e prepara sua entrada em Buenos Aires, onde implantará projeto público de bikes

Adriana Guarda

Bicicleta portenha com tecnologia pernambucana. Em 2014 a Serttel vai alçar seu primeiro voo internacional, com a implantação de um projeto público de bikes, em Buenos Aires. A estratégia de extrapolar as fronteiras nacionais é apenas parte do business plan da empresa, que depois de comemorar 25 anos de mercado, está disposta a captar recursos no mercado, seja por meio de fusão ou com participação de fundos. A chegada de investidos vai garantir musculatura ao crescimento frenético do negócio. Depois de crescer 55% em 2012, a Serttel vai fechar esse ano com avanço de 65% no faturamento e projeta encerrar 2014 com 35%.

A Serttel é um exemplo de empresa que conseguiu crescer sustentada pela inovação. Lá no começo, quando foi criada no dia 13 de dezembro de 1988, surgiu de olho no setor de telecomunicações. Prestava serviço à extinta Telpe, consertando os teclados de telefones que eram fornecidos pela companhia aos usuários. Três anos depois começou a desenvolver equipamentos de controle para semáforos. O presidente da Serttel e sócio majoritário, Angelo Leite, sempre teve vocação para Professor Pardal. Além de inventor também tinha desenvoltura com elétrica. Aos 12 anos de idade instalou o sistema de iluminação da igrejinha da comunidade onde morava em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco.

Depois de cursar engenharia elétrica na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Leite começou como estagiário e virou sócio da Serttel com 10% de participação. Hoje detém 80% e manteve a tradição de vender fatia no negócio à prata da casa. Dos cinco sócios, todos eram funcionários e três entraram como estagiários.

Atualmente, a empresa atua em cinco áreas de negócios: rede de semáforos (35%), bicicletas públicas (25%), fiscalização eletrônica urbana (20%), estacionamentos públicos (20%) e operação de trânsito (20%). “Em 2016 queremos alcançar um faturamento de R$ 300 milhões. A empresa cresce a uma média de 50% ao ano e para garantir fôlego a essa expansão estamos realizando investimento médio anual na casa de R4 15 milhões. Contratamos a Deloitte para fazer um business plan e apontar novas possibilidades de negócios e caminhos para captação de recursos”, adianta Leite.

Com um time de 35 engenheiros que desenvolvem os programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da empresa, a Serttel quer ser referência nacional em tecnologia nos setores em que atua e competir no mercado latino-americano no negócio de bicicletas públicas. O primeiro lugar na licitação de Buenos Aires foi o primeiro passo. O projeto é para implantar 200 estações com 4 mil bicicletas. A iniciativa será bancada pelo governo municipal, sem patrocínio, diferente do que acontece no Recife, São Paulo, Rio, Salvador e Porto Alegre, que têm patrocínio do banco Itaú.

“Como estamos chegando na Argentina queremos nos compor com o governo e indústrias. As bicicletas serão produzidas por uma indústria local com nossa tecnologia”, explica Leite. A Serttel também está disputando licitação de projetos de bikes em Medellín (Bolívia), Montevidéu e Bogotá (Colômbia). A empresa vai disputa espaço com grandes players mundiais, principalmente da Espanha e dos Estados Unidos, que dominam o mercado na América Latina.

Jornal do Commercio (PE), Economia, 22/12/2013
Foto: Bob Fabisack/JC Imagem